A menina que roubava livros

A menina que roubava livros foi escrito por Markus Zusak em 2005. Com 480 páginas, o livro conta a história de Liesel Meminger, pelo ponto de vista da morte, que encontra a menina algumas vezes e é personagem da narrativa. Li a edição brasileira publicada pela Intrínseca.

“Até a morte tem coração.”

Com ainda 9 anos, Liesel é afastada de sua mãe, que está sendo perseguida, e vai morar com pais de criação: Rosa e Hans Hubermann. Os três moram em uma pequena cidade na Alemanha Nazista, Molching, e formam uma família pobre, mas que consegue se sustentar. Ainda no caminho para sua família de criação na rua Himmel, Liesel rouba seu primeiro livro de muitos, após presenciar a primeira morte: a de seu irmão. O livro em questão, porém, era um manual para coveiros achado por ela perto de onde seu irmão foi enterrado.

Tendo pesadelos quase toda noite com a perda do irmão, Liesel desenvolve uma relação especial com seu pai de criação, Hans, quando ele começa a ajudá-la a se alfabetizar lendo o manual de coveiros com ela nessas noites em que ela não conseguia dormir

Ao mesmo tempo que aprende a ler e escrever de noite, quando brinca e joga futebol com seus vizinhos de dia, Liesel faz amizade com Rudy Steiner, um desses vizinhos, que vira seu melhor amigo e companheiro de alguns dos roubos de livros.

Mas a família de Liesel começa a abrigar e proteger um judeu em seu porão enquanto os ataques chegavam cada vez mais perto da cidade deles, e mesmo sem entender o porquê do sigilo, a menina jura nunca mencionar Max para ninguém. A morte, como narradora, acompanha então o desenvolvimento de uma relação entre os dois, a qual era invisível e inexistente para qualquer um que não morasse na casa.

“Como a maioria dos sofrimentos, esse começou com uma aparente felicidade”

A partir daí, o livro nos conta sobre essa relação entre Liesel e Max. Enquanto Liesel, ainda por volta dos 12 anos, tenta entender o que está acontecendo no mundo: com a necessidade de se esconder no porão de seus vizinhos toda vez que alguma bomba chega perto de sua cidade. Ao mesmo tempo, mais livros são roubados por ela, com a ajuda de Rudy, seu melhor amigo. Tais livros que, depois de roubados, eram devorados por Liesel mais de uma vez, com suas vorazes leituras e releituras.

Com essas diversas leituras, Liesel começa a perceber o poder e a importância que as palavras têm e tinham, principalmente no período em que ela viveu, onde palavras organizadas formavam discursos que convenciam a população de um país inteiro quem era melhor ou pior e, de acordo com isso, quem merecia viver uma vida boa, ou as vezes quem nem se quer merecia viver, mesmo sem prova alguma de que alguém realmente seria pior.

Não sou violenta. Não sou maldosa. Sou um resultado”

Assim, a obra te levará por essa narrativa com a escrita linda de Markus Zusak onde você vê o Holocausto pela visão inocente de uma menina pré-adolescente, que no começo de sua história ainda não sabe ler nem escrever, e acaba roubando livros apenas para poder passar horas lendo e encarando as palavras nas folhas. Em minha opinião, o livro é uma leitura quase obrigatória para todos que estão também descobrindo, ou que já descobriram, o grande poder que as palavras têm sobre nós. O livro, por mais longo que pareça, te prende do começo ao fim com uma escrita que não é fácil, mas que te dá cada vez mais sede para descobrir o que irá acontecer com Liesel, sua família e o judeu em seu porão.

Esta resenha é de autoria de Clara Jovchelevich Carvalho, 14 anos, estudante do 9º do ensino fundamental no Gracinha, em São Paulo. É sua estreia aqui no Lombada Quadrada e, pelo ritmo de leituras dela, esperamos mais contribuições.

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