Don Quijote de la Mancha

DonQuijoteDeLaMancha500Quem já leu I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias? Ou Ulisses, de Joyce? Ou, quem sabe, Grande sertão, veredas, de Rosa? Quem foi que já leu todos os livros de Em busca do tempo perdido, de Proust?

Pois é. Muitos clássicos da literatura mundial são mais comentados do que lidos. É o caso de Moby Dick, de Melville, cuja história praticamente todo mundo conhece. Mas o texto integral…

Quem encara as mais de 500 páginas? Quem supera as longas descrições dos tipos de arpão usados na pesca da baleia?

Encarar um desses livros é uma tarefa árdua, para leitores pacientes e persistentes.

Fiz alguns testes nos últimos tempos. Li a versão integral de Moby Dick. Gostei, amei. Acho que sou paciente para leitura.

Já li Grande sertão. Li Os miseráveis. Devo ser persistente. Certamente, sou chato.

Por quê, então, não encarar o livro que inaugurou aquilo que chamamos de romance? Dom Quixote.

Por quê não encará-lo em espanhol? Don Quijote de la Mancha, el valeroso caballero de la andante caballeria?

Peguei meu kindle, baixei uma versão integral, bem cuidada, com um providencial dicionário da língua espanhola devidamente ‘linkado’ para as dúvidas recorrentes e frequentes em uma obra de mais de mil (1.000!!!!) páginas.

E lá fui eu, viajar pela Espanha com Alonso Quijano el bueno, vulgo don Quijote, e seu fiel escudeiro, Sancho Panza.

Luta com moinhos de vento? Sim, existe. E é logo no começo do livro. As aventuras que se seguem são muito mais ricas, loucas e deliciosas do que essa.

Muito se falou desse livro. E não vou me deter na análise de como ele inaugurou o romance moderno, com o uso de metalinguagem, como ressaltou o papel do narrador, o diálogo com o leitor, as técnicas literárias que foram copiadas e aperfeiçoadas em mais de 500 anos de literatura.

De Don Quijote, fico com a aventura de ser leitor, sem medo do tamanho do livro. Um leitor que exerceu a curiosidade, o dom da persistência e a paciência de ler uma obra ao longo de alguns meses. Com pausas, em que outros livros entraram na fila, para momentos de distanciamento, que me permitiram voltar ao romance com vigor renovado.

Terminei Don Quijote de la Mancha lembrando de Gonçalves Dias. E proponho a Renata que este blog inaugure uma nova seção, para os clássicos pouco lidos, muito comentados e recontados:

MENINOS, EU LI!

(não entendeu? Leia I-Juca-Pirama)

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2 comentários sobre “Don Quijote de la Mancha

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