Maximum City: Bombay Lost and Found

MAXIMUM_CITY__BOMBAY_LOST_AND_FOUND_1281506122P>> Bombay is the future of urban civilization on the planet. God help us.

Se você acha que sua cidade é complicada, precisa ler Maximum City. O livro do indiano Suketu Meta surge de uma tentativa de reviver e reaprender Bombaim (hoje rebatizada Mumbai), a cidade onde ele cresceu e para onde volta depois de anos vivendo em Nova Iorque. A ligação do autor com a cidade faz com que ele a aborde de uma perspectiva bem interessante: uma olhar que é meio “de dentro” e ao mesmo tempo externo, o que confere um equilíbrio muito interessante ao livro no trato das marcas culturais que compõe o cotidiano.

Victor Hugo dizia que toda cidade é meio esquizofrênica. Meta afirma que Bombaim sofre do distúrbio de múltiplas personalidades. Super-rica e megapobre ao mesmo tempo, dividida por conflitos de fé e guerra entre gangues, arrasada pela corrupção, território de misticismo milenar e de uma das mais profícuas indústrias cinematográficas do planeta (certamente, a mais kitsch), tudo ao mesmo tempo agora, Bombaim chega ao extremo do que pode ser uma megalópole. E o surpreendente (ou não) é reconhecer que os problemas são praticamente os mesmos de qualquer outra metrópole.

>> Modern cities have not made their peace with the automobile. Cities are the way they are because of cars; people who drive them can live farther and farther from the center. A great city grows because of its automobiles; Bombay is now dying from them. (…) The wars of the twenty-first century will be fought over parking places.

Meta morou alguns anos em Bombaim para escrever  e, nesse tempo, se relacionou com os personagens icônicos que aparecem no texto. O gangster assassino, o policial linha-dura, a dançarina de boate, o juiz correto, a dona de casa da favela, o multimilionário entendiado, o chefe da máfia, o diretor de cinema e a família religiosa.  Nesses extremos, ele costura um retrato assustador da cidade também a partir do seu urbanismo e do que significa sua forma e histórico de  ocupação.

>> We tend to think of a slum as an excrescence, a community of people living in perpetual misery. What we forget is that out of inhospitable surroundings, the people have formed a community, and they are as attached to its spatial geography, the social networks they have built for themselves, the village they have re-created in the mildst of the city, as a Parisian might be to his quartier.

>> There are no modern buildings in Bombay that make you feel anything.

O que é muito interessante – e que vem sendo comum a tantas obras que falam sobre as cidades na última década – é que essa narrativa é dada a partir da dimensão humana. A cidade é feita sobretudo de pessoas, e nessa certeza o autor recupera a solidariedade como a base para a perspectiva de um futuro menos ruim. Uma das passagens mais interessantes do livro – que ele leu ano passado, durante a Flip – fala disso:

>> If you are late for work in the morning in Bombay, and you reach the station just as the train is leaving the plataform, you can run up to the packed compartments and find many hands streching out to grab you on board, unfolding outward from the train like petals. As you run alongside the train, you will be picked up and some tiny space will be made for your feet on the edge of the open doorway. 

Onde há gente há merda – mas também há esperança.

PS: Li a edição Kindle em inglês, mas o livro tem edição novinha em português.

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2 comentários sobre “Maximum City: Bombay Lost and Found

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