Jornalismo e verossimilhança não se curtem muito na ficção

Número ZeroCom raras exceções – e aqui fica um desafio para que vocês me ajudem a apontar essas exceções –, a ficção não trata bem o jornalismo. Diálogos artificiais, situações pouco prováveis e decisões estranhas movem os editores, repórteres e produtores retratados no cinema, na televisão e na literatura. O tão esperado novo livro de Umberto Eco não me parece fugir à regra.

As conversas da turma reunida para preparar o “número zero” de um jornal chamado Amanhã, destinado, pelo próprio nome, a nunca sair, parecem ter saído de um mau roteiro de TV ou de uma peça encenada por alunos de um colégio. Ok, talvez eu esteja sendo exigente demais e rabugento. Mas, mesmo assim, gostei de ler o novo romance de Eco.

Deixando de lado a questão da verossimilhança, o semiólogo italiano, romancista de mão cheia e produtor de best sellers “cabeça”, acerta a mão ao mostrar como é banal e superficial esse mundo da produção de notícias. Venalidade, interesses comerciais, jogo político sujo, informações plantadas para derrubar reputações, o machismo das redações. É só um jornal de ficção, deveria alertar o autor, mas não se espante se ao ler Número zero você lembrar da redação da esquina.

Li um exemplar da primeira edição brasileira, publicada pela Record. Achei a capa, que está aí na foto, com alto relevo e tudo o mais, um tanto brega. E não costumo gostar da impressão dos livros da Record. Páginas mais claras, uma tipologia cansativa e o papel branco demais para quem é fã do soft polen.

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