Cosmópolis

IMG_4540Esse post começa com uma confissão: eu não tinha a MENOR ideia da existência de Guilherme de Almeida até me mudar para São Paulo e trabalhar no órgão responsável pelo museu casa dedicado ao escritor.

Guilherme de Almeida foi um dos agitadores do Movimento Modernista, é autor do brasão da cidade de São Paulo – aquele do Non ducor duco (não sou conduzido, conduzo) -, participou ativamente da Revolução Constitucionalista de 1932 e, ainda assim, nunca tinha cruzado meu caminho.

Talvez a razão seja justamente essa identificação tão forte e tão específica com São Paulo… o que nos traz ao motivo deste texto.

Cosmópolis é o título do livro que compila oito reportagens publicadas no Estadão em 1929, cada uma delas abordando uma comunidade de imigrantes estrangeiros e sua presença em uma região da cidade, com textos extremamente poéticos, subjetivos e divertidos. O do bairro da Liberdade começa com uma brincadeira – agora, imagine isso publicado num jornal quase 90 anos atrás:

IMG_4571Como “estrangeira” em São Paulo, ler Cosmópolis fatalmente me levou também a olhar com mais atenção os lugares por onde circulo. No capítulo dedicado à Luz e Campos Elíseos, onde trabalho, descobri que a região já foi morada da comunidade alemã – seria o Bar Leo um resquício disso? Já a Rua 25 de Março era desde então o reino da bugiganga, ou um shaker de cocktail que São Paulo bate (que delícia de metáfora, viu?).

As matérias foram compiladas em livro pela primeira vez em 1962, pela Editora Nacional, num volume rústico e belíssimo, com tiragem numerada (sou a feliz proprietária do número 2460, comprado por irrisórios R$ 5 via Estante Virtual).

Relendo o prefácio para escrever esse post, vi que Guilherme de Almeida até mesmo discute por que chamar de reportagens textos tão cheios de sua subjetividade – e o argumento é matador: “os olhos da gente também não são objetivas fotográficas?“.

Impossível não lembrar do debate no lançamento de O nascimento de Joyce, de Fabiana Moraes. Mas isso é história para um outro post.

PS: Comprei o livro uns dois anos atrás porque achei a primeira edição dando sopa na internet. Mas só li Cosmópolis agora por causa do Desafio dos 52 Livros. Ele era o primeiro da estante – e pode-se dizer que foi um ótimo começo. 😉
#1/2015

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3 comentários sobre “Cosmópolis

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