O Nobel é do Brasil

Sim, acreditem. Não se trata de fake news. O Brasil ganhou dois prêmios Nobel de Literatura. Finalmente nossos escritores foram ao Olimpo das letras e a língua portuguesa falada e escrita no Brasil teve seu reconhecimento. Ainda está duvidando? Pois temos tudo documentado, com minúcias, incluindo os discursos de agradecimento dos nossos heróis. Para ter certeza de que não é um delírio, corra para a livraria mais próxima, ou compre pela internet, as obras que dão credibilidade a este relato. Anotem. Nobel, de Jacques Fux, publicado pela José Olympio Editora, hoje selo do Grupo Record, e O imortal de Mauricio Lyrio, editado pela Companhia das Letras. Neles você conhecerá a identidade dos gênios brasileiros que alcançaram tão cobiçado prêmio.

O primeiro dos prêmios foi dado ao autor de Nobel, neste ano da graça de 2018. Ok, sabemos que por conta dos escândalos na Academia Sueca, não será concedido o Prêmio Nobel de Literatura, que talvez volte em 2019, se a turma lá conseguir botar a casa em ordem. Mas Jacques Fux garante que foi agraciado. E nos oferece em primeiríssima mão o discurso feito ao venerável auditório. E que discurso! Ele não deixa pedra sobre pedra na tradicionalíssima cerimônia, botando para fora uma análise nada abonadora de dezenas de escritores que já foram premiados. Mostrando aos acadêmicos, e ao leitor, a banda podre da vida de nomes como Elias Canetti, Vargas Llosa, Sartre, Coetzee, Walcott e muitos outros. Com humor ácido e altas doses de sarcasmo, o agraciado Fux entra nas intrigas, fraquezas e contradições dos seus antecessores, mostrando que inveja, sexo, traição, corrupção, flertes com o fascismo, troca de socos, machismo, e outros inúmeros defeitos de caráter estão por trás de muitas biografias de autores incensados pela gloria do Nobel. À medida em que o discurso avança, uma plateia cada vez mais enfurecida vai berrando para o premiado. Xingamentos que são devolvidos com estilo pelo orador. Ele usa uma quase interminável coleção de adjetivos para nomear seus ouvintes, que começam “eminentes” e vão se tornando “trépidos”, “injuriados”, “maledicentes”, “tratantes”, “invejosos” e por aí vai. É leitura com risos garantidos, para se fazer  em uma tarde na rede ou no café. Um livro que vem com a marca da ironia, sempre presente na obra de Jacques Fux. E com muita auto-ironia também.

O segundo Nobel para o Brasil só vai chegar em 2025. E quem antecipa essa importante informação é Mauricio Lyrio, em seu O imortal. Nele, conhecemos Cássio Haddames, o futuro laureado. Diplomata, tal como o autor, Cássio é um escritor pouco prolífico. Consegue a façanha de ser premiado com menos de mil páginas publicadas, em parcos três romances. Dono de uma carreira errática na diplomacia, o autor se vê indicado pelo governo brasileiro, em uma forte campanha feita por um presidente populista, que sonha projetar um país que já é a 5ª economia do mundo, cada vez mais próspero, à custa da riqueza do petróleo, mas ainda muito desigual. Esse é o cenário em que Haddames torna-se o escolhido para receber o Nobel daquele ano. A história é contada em forma de cartas, anotações do autor, mensagens diplomáticas, notícias de jornal, sessões de terapia de um dos filhos de Cássio. Literatura, poder, eleições, sexo, mortes cercadas de mistério. A escrita de Lyrio é envolvente e repleta de surpresas, reviravoltas. Por vezes, me peguei rindo, ou demostrando espanto diante de situações engenhosas, que você só vai entender lendo. Assim como na obra de Fux, há muito humor em O imortal e altas doses de realidade, especialmente quando trata dos bastidores da politica e da diplomacia, cenários que o diplomata-escritor conhece muito bem.

Pois é. Esses são os dois prêmios que o Brasil ganhou. Na imaginação de dois escritores, um mineiro, outro carioca. E com a incrível coincidência de publicarem suas obras quase simultaneamente, por editoras diferentes. Tanto que a livraria Tapera Taperá juntou os dois autores em um debate pra lá de engraçado. E o Lombada pegou os autógrafos de ambos.

Nobel                       O imortal

Uma das marcas que une os livros, em meio a tantas coincidências, é a referência a vida pessoal de autores do passado bem como a citação de obras, o que também nos dá um guia de futuras leituras.

O Brasil, enfim, tem o Nobel de Literatura. Tem dois, na verdade. Divirtam-se com eles.

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