O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam

AdágiosA ideia de um trauma capaz de desconectar uma pessoa do mundo sempre me assombrou. E assombra.

Quando vejo moradores de rua – como o Lula, que circula pelas ruas de Pinheiros -, tento imaginar o que o levou a vagar por aí, sujeito às mais terríveis condições. Na maior parte do tempo, invisível. E quando notado, odiado.

É em torno da invisibilidade, do trauma e da ruptura com o mundo que se desenvolve o incrível romance de Evandro Affonso Ferreira, O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam.

Em uma narrativa contínua, sem parágrafos, sem capítulos, o mendigo fala sem parar diante de um desconhecido. Do universo dos moradores da “praça debaixo do viaduto”, o álcool, a violência, a indiferença e o ódio das pessoas do entorno a divagações sobre a obra do pensador Erasmo de Rotterdam. Sim, estamos falando dele, Erasmo de Rotteram, cujos adágios o mendigo realmente sabe de cor.

A quem vai ler, uma recomendação: prepare-se para um livro carregado de altas doses de erudição, citações, referências a pensadores humanistas, frases em latim, devidamente traduzidas. Parece chato, mas não é. A ruptura que levou esse pobre coitado às ruas? Descubra na primeira página.

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4 comentários sobre “O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam

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