7 (ou 27) livros que formaram um leitor

O Lombada Quadrada, orgulhosamente, apresenta Daniel Carvalho, um leitor. Neste 18 de novembro, data do post, Dani completa 16 anos. E já podemos afirmar, com certeza, que ele tem pela frente um futuro de leituras as mais variadas. Não há nenhum milagre nisso. E nem se trata de um superdotado que leu Jean Paul Sartre no original em francês aos 4 anos de idade. Dani é um garoto que joga videogame, assiste televisão, pratica natação, gosta de futebol e é fã da NBA, além de ir regularmente à escola, onde tira nota 11 em física.

A receita é simples. Cerque a criatura de livros desde o nascimento. Conte histórias, leia para ele enquanto ainda não está alfabetizado. E vá elevando a barra aos poucos. É fundamental dar o exemplo e ler também. Mais do que isso. Você não precisa ter a Biblioteca de Alexandria em casa. Mas é bom ter livros por perto, um espaço nobre para eles naquela estante da sala ou do escritório. Os livros da escola? Compre assim que chegar a lista. E incentive a leitura, pergunte se gostou, se entendeu, se tem alguma dúvida. Para acrescentar mais ingredientes, vá indicando novos livros e aumentando  a complexidade das histórias. Evite as recontagens e invista nos textos originais. Não esqueça dos clássicos, mas aposte também em literatura contemporânea, para que o futuro leitor não ache a linguagem enfadonha. Ah! Não tenha preconceito contra a ficção científica. Acredite, Harry Potter e Senhor dos anéis são exemplares de boa literatura. E fantasia é fundamental para o exercício da imaginação e da criatividade. Um bom livro puxa outro bom livro…

Pois o nosso leitor Daniel já tem seus preferidos entre as dezenas de livros que leu desde a infância. E nos deu a seguinte lista, que não é cronológica. Ah, são 7 ou 27? Leia e conclua.

Frankenstein, de Mary Shelley – Editora Martin Claret

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É, até agora, o livro preferido de Daniel. O romance da britânica, que narra a história de um médico que cria um ser monstruoso, dotado de grande força, pode ser considerado o precursor da ficção científica. Escrito no século XIX, quando Mary tinha apenas 19 anos, o romance foi originalmente publicado sem crédito para a autora, já que poucos comprariam um livro escrito por uma mulher. Frankenstein nasceu de um desafio feito por amigos, entre eles o escritor Lord Byron e Percy Shelley, futuro marido da autora, quando ficaram retidos em um hotel, à beira de um lago, por conta da erupção de um vulcão cuja nuvem de fumaça e poeira provocou grandes desastres ambientais no hemisfério norte. Durante o retiro forçado a brincadeira do grupo era contar histórias de horror. E o desafio era de transformar as histórias em livros. Mary Shelley demorou alguns dias para achar sua narrativa. Mas, quando finalmente escreveu, deixou para a literatura e para o cinema um dos maiores clássicos do horror e da fantasia.

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez – Editora Record

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Dani encarou em 2017 a saga da família Buendía, que deu ao escritor colombiano o Prêmio Nobel de Literatura. Cem anos é a grande referência do realismo mágico latino-americano, embora não tenha inaugurado o gênero. Neste livro, Daniel encarou um grande desafio para um jovem leitor, pois trata-se de um romance com uma intrincada gama de personagens, muitos dos quais têm o mesmo nome, já que a família Buendía vai homenageando seus antepassados em uma profusão de Arcádios e Aurelianos. Passadas as primeiras páginas, a leitura engrenou. E era comum ver o menino com olhos grudados no livro, acompanhando os cem anos de muita fantasia e de um um retrato muito preciso do que é este subcontinente maluco em que vivemos.

As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi – CosacNaify

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Esse é um daqueles clássicos cuja história básica, contada e recontada em livros ilustrados, filmes e desenhos animados praticamente todo mundo conhece. Mas ler o original, que é bom, é pra poucos. A edição que Daniel leu é simplesmente linda. Publicada pela finada CosacNaify, vem dentro de uma caixa, com ilustrações de Alex Cerverny, tradução de Ivo Barroso e posfácio de ninguém menos que Italo Calvino. Compramos o livro durante um passeio em Ouro Preto. E em menos de um mês Dani, que estava com 13 anos, atacou com voracidade as mais de 300 páginas que contam a história do boneco de madeira.

Desventuras em série, de Lemony Snicket – Companhia das Letras

Desventuras

As incríveis e absurdas desventuras dos irmãos Baudelaire são contadas em 13 livros na série criada por Snicket. Após a morte dos pais, os órfãos – uma menina adolescente, um garoto na faixa dos 10 anos e um bebê -, são jogados de lá para cá e perseguidos pelo insistente conde Olaff, que ambiciona herdar a fortuna dos irmãos. Tudo dá errado na vida dessas crianças. Mas é tanta desgraça junta, contada com fina ironia, que a série fica engraçada. Foi talvez o primeiro grande desafio literário de Dani, que começou a ler a série com 10 para 11 anos de idade. Além de acompanhar o fio da história, em Desventuras é preciso lidar com o sarcasmo do narrador , entender os comentários irônicos e, claro, não se impressionar com as constantes ameaças à vida dos irmãos, que sempre conseguem se safar, como em toda boa história de aventura. O livro já foi (mal) adaptado para o cinema. E, agora, virou série do Netflix, que já tem episódios baseados nos primeiros 5 volumes.

Harry Potter, de J. K. Rowlling – Editora Rocco

Harry Potter

Em pleno século XX a história de Mary Shelley se repetiu, como bem lembrou Renata neste post. Rowlling, uma mulher, só conseguiu publicar o primeiro livro da série quando aceitou ocultar o gênero, usando na capa apenas as iniciais do seu nome. Afinal, diziam os sábios barões do mercado editorial, quem iria ler a história de um aprendiz de feiticeiro escrita por uma mulher? O livro estourou como um dos maiores fenômenos editoriais de todos os tempos, ganhou a tela do cinema e milhares de licenciamentos de produtos que vão de brinquedos a roupas e exposições que circulam pelo mundo. Foi por Harry Potter que começamos a introduzir Daniel de vez no mundo geek. E na lição de que por melhor que seja o filme, é sempre bom ler o livro.

O senhor dos anéis, de J.R.R. Tolkien – Editora Martins Fontes

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O plano maligno de Renata deu certo. Depois de Harry Potter, Daniel mordeu a isca e, a partir do primeiro livro, ganho como presente de aniversário, devorou a série, assistiu aos filmes,  entrou no universo da Terra Média, dos Hobbits e tudo o mais. O senhor dos anéis marca a entrada definitiva no mundo geek e no interesse pela ficção científica. Tanto que em 2017 acabou de ganhar Fundação, de Isac Asimov, para subir mais uns degraus e começar a lidar com as distopias.

O fio das missangas, de Mia Couto – Companhia das Letras

o fio das missangasQuando o livro de contos do escritor moçambicano entrou na lista de leituras do ensino médio do Gracinha, a escola de Dani, pensei que o voo era bem ousado. Dono de uma escrita lírica e carregada de sentidos políticos, Mia Couto pode ser bem complexo para um adolescente. E não é que ele gostou da leitura, já pediu mais livros do autor pra ler. E ainda foi brindado pelo acaso, que fez uma agenda de Mia Couto em São Paulo coincidir com o fim da leitura. Mexidos uns pauzinhos e eis que o escritor foi à escola em junho para conversar com os alunos sobre sua obra. Mais uma mordida no anzol da leitura. E Daniel está devidamente fisgado. Agora, é tratar de abastecer com regularidade essa fome por boas histórias. Não faltam livros em casa. Além do Kindle que ele compartilhar com a irmã.

Está formado um leitor.

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