10 mulheres pra ler em 2018

Eis que o blog lítero-feminista Lombada Quadrada apresenta sua lista de escritoras para ler este ano.

Em 2018, vamos fazer tudo diferente: pra começar, as recomendações aqui não são de livros que eu já li, mas que quero ler até dezembro. Quase todas são escritoras que já conheço, mas com obras que ainda não tive oportunidade de ler. Portanto, faço a todas um convite para descobrirmos juntas o que cada um desses livros têm de bom.

A outra novidade é que parte dessa lista surgiu como colaboração para uma outra lista: no começo do ano, Thaís Rigolon consultou 40 mulheres ligadas ao meio editorial sobre suas recomendações de leitura para 2018 – eu entre elas, representando o Lombada Quadrada. O resultado foi uma compilação de 208 livros, de 149 escritoras, com 29 nacionalidades diferentes – um trabalho estupendo, que você pode conferir no blog Cultura e Comunicação.

O Lombada colaborou para o levantamento com quatro recomendações de leitura, que você confere abaixo (de 1 a 4), alguns mencionados também por outras colaboradoras da Thais. Acrescentamos mais seis livros à lista pra fechar as 10 sugestões para o ano, mais uma dica final pra se manter antenado/a em dicas de autoras para ler.

Aí vai:

1) Virgínia Woolf – A leitora incomum

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Esse certamente é uma das minhas leituras mais aguardadas de 2018. Compila cinco ensaios sobre literatura escritos por Virginia Woolf entre 1919 e 1929, traduzidos por Emanuela Siqueira e publicados pela Arte e Letra numa edição quase artesanal, com capa de pano e serigrafia feita à mão. No ano passado, Um teto todo seu, também de Virgínia, foi um dos meus Top 10 do ano, então tenho grandes expectativas por este aqui. O fato de que é uma mulher traduzindo, e o capricho com a montagem do livro, são estímulos adicionais.

2) Scholastique Mukasonga – A mulher de pés descalços
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A ruandesa também entrou na lista dos meus livros preferidos em 2017 com Inyenzi ou les cafards (Inyenzi ou as baratas), ainda não traduzido no Brasil. Mas a potência de sua literatura como denúncia do genocídio dos Tutsi em Ruanda me fez querer ler todo o resto. É documento, é grito, é resistência é também uma poesia quase cabralina, nas imagens concretas a que ela recorre para narrar a tragédia de sua família. Já estou lendo o livro de contos La vache du roi Musinga (A vaca do rei Musinga), como aquecimento, mas a meta mesmo é A mulher de pés descalços, que foi traduzido e publicado no Brasil pela editora Nós.

3) Micheliny Verunschk – O amor, esse obstáculo
Aqui, no coração do inferno e O peso no coração de um homem, ambos publicados no ano passado, são os dois primeiros livros da Trilogia Infernal – o último Micheliny terminou de escrever recentemente. É bem difícil explicar os livros em poucas linhas, assim como é bem complicado classificar o trabalho da autora. Em linhas gerais, a trilogia revisita o período pós-ditadura no Brasil a partir de personagens que eram jovens demais pra saber o que acontecia, mas que vivem suas consequências assombrosas (saiba mais na resenha dos dois primeiros livros, aqui). Em 2017, ela também lançou o livro de poesia Maravilhas banais, excelente.

4) Giovana Madalosso – Tudo pode ser roubado
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Esse é o primeiro romance de Giovanna, que publicou no ano passado o excelente livro de contos A teta racional (como o título já indica, a condição da mulher contemporânea é o tema central). A conheci em um debate do Leia Mulheres em São Paulo e gostei da conversa tanto quanto já tinha gostado do livro – por isso, a notícia de um novo lançamento foi animadora. Tudo pode ser roubado acabou de sair do forno pela Editora Todavia e está quietinho esperando sua vez na estante.

5) Charlotte Brönte – Jane Eyre
Conheço pouquíssimos dos clássicos escritos por mulheres e decidi que isso começa a mudar em 2018. Para tanto, vou começar com uma das três irmãs Brönte, que se notabilizaram pelos romances em estilo gótico que produziram no Reino Unido de meados do século 19 – uma época em que mulheres simplesmente não escreviam. Os primeiros poemas e romances das Brönte foram publicados sob pseudônimos masculinos. Não sei o que acharei de Jane Eyre, mas suspeito que o romance terá elementos para pensar as condições da mulher escritora daquela época.
6) Angela Davis – Mulheres, raça e classe
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Há dois anos parado na minha estante, tenho pensado bastante nesse livro, que vem sendo mencionado frequentemente em matérias, outros blogs ou debates sobre o papel das mulheres negras na sociedade contemporânea. Lançado nos Estados Unidos em 1981, o livro só foi traduzido para o português e publicado no Brasil em 2016, pela Boitempo. Desde então, tem sido citação onipresente em conversas sobre o feminismo.

7) Idalia Morejón Arnaiz – Caderno de vias paralelas

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Sei que vai parecer estranho, mas na verdade eu já li esse livro. Só que eu tava mudando de casa e a atenção estava completamente dividida entre a leitura e os preparativos para embalar a biblioteca rumo a sua nova (e espero, definitiva) morada. De modos que lembro pouco dos detalhes, mas ficou na memória claramente que eu gostei pra cacete desse livro e quero muito resenhá-lo para o Lombada. A autora é cubana, mas mora em São Paulo e é professora na USP. Caderno de vias paralelas foi editado artesanalmente pela Mariposa Cartonera.

8) Rita de Cássia Barbosa de Araújo – As praias e os dias
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Típico caso de livro comprado pela capa. Não conhecia a autora, mas o título e o tema me pegaram de cara: As praias e os dias é uma tese de doutorado defendida na USP sobre as areias de Recife e Olinda. A praia onde nasci e virei gente (Boa Viagem) certamente terá papel de destaque. Não lembro em que circunstâncias comprei esse livro, mas anotei que foi em 2010. Possivelmente numa bienal ou em uma feira de livros, onde normalmente eu garimpo edições universitárias. Tenho pensado nele há vários meses, então chegou a hora de dar uma pausa em seu retiro na minha estante.

9) Dejaimilia Pereira de Almeida – Esse cabelo
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Com o subtítulo A tragicomédia de um cabelo crespo que cruza fronteiras, o romance da escritora angolana segue as memórias de sua personagem desde que, criança, deixa o país africano para viver em Portugal. O cabelo como marca distintiva de origem e de raça é que será o grande catalizador das vivências da garota. Publicado pela Leya no ano passado (há uma primeira edição da autora de 2015), o livro também vem sendo citado de forma onipresente nas rodas de conversa sobre mulheres e literatura.

10) Ana Miranda – Xica da Silva
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Depois do incrível Musa praguejadora, sobre Gregório de Matos, Ana Miranda publica um livro sobre a escrava negra que ficou rica e agia como nobre no Brasil colonial. O projeto gráfico e capa parecidos com o livro anterior dão a entender que Miranda seguiu neste livro a mesma proposta que adotou em Musa: trechos de história intercalados com ficção, de forma a que o resultado final nem é apenas uma biografia, tampouco um romance, mas uma mistura instigante dos dois.

DICA FINAL! Leia Mulheres

Tenho enorme admiração pelo movimento e pelo grupo de moças que toca isso no Brasil – elas é que me chamaram a atenção para a necessidade de atuar ativamente pra colocar mais autoras nas minhas estantes. Hoje são 71 clubes de leitura em funcionamento no País inteiro, o que significa cerca de 1.400 mulheres lendo mulheres todos os meses – feito nada irrelevante. Acompanho menos do que gostaria, mas recomendo a todo mundo que baixe o aplicativo do grupo para saber da agenda de reuniões ou, no mínimo, pescar sugestões de autoras.

PS: A foto em destaque nesse post é de um detalhe do icônico poster das Guerrilla Girls, fotografado em exposição no MASP. Trata-se de um grupo anônimo de artistas que tentam peitar o machismo no mercado da arte e nos museus, questionando a ausência de mulheres entre os expositores. A obra completa é esta aqui:
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