Angola logo ali

IMG_4850Uma das questões envolvidas na reativação deste blog era vontade de criar conexões com outros leitores e colocar novos livros no radar. Em menos de um mês, por causa do post sobre Negras Raízes, de Alex Haley, me indicaram Teoria Geral do Esquecimento, do escritor angolano José Eduardo Agualusa – e só por isso, considero o projeto pago. 🙂

Teoria geral do esquecimento é um livro político e poético, de frases fortes e metáforas contundentes. Sobre o pano de fundo da recente guerra civil em Angola, descortina personagens que podem ser interpretados como arquetípicos  da história recente do País. Os portugueses assustados com a independência, os meninos de rua que se viram como podem, os comunistas, os torturadores, os integrantes de tribos e vários outros.

A personagem central é uma moça portuguesa que, surpreendida pelos efeitos imediatos da independência, se empareda no próprio apartamento, em Luanda. Enquanto acompanhamos os anos de isolamento de Ludo, seguimos em paralelo outros personagens transitando pelo cotidiano conturbado pela revolução. Sem ligação aparente entre si, eles vão se aproximando aos poucos em uma delicada costura de coincidências, que ao final exibem um bordado representativo das várias facetas contemporâneas de um país com uma história recente violenta e complexa.

Vários dos capítulos de Teoria geral do esquecimento funcionariam como contos isolados. Dois deles são poemas escritos, a pedido de Agualusa, pela escritora brasileira Christiana Nóva (belíssimos). Mas a identificação com o Brasil não para por aí. Neto de carioca, Agualusa lança mão de várias referências à cultura brasileira ao longo do livro: Chico Buarque, Elza Soares, João Cabral de Melo Neto.

O livro tem também  sonoridade emprestada das dezenas de palavras de origem africana ao longo do texto. Lendo-o, fiquei me imaginando um leitora portuguesa diante de uma obra da literatura brasileira.

Uma pena, portanto, que tenhamos quase nenhum conhecimento sobre cultura angolana, País com quem o Brasil compartilha uma história comum de colonização, uma história recente de reconstrução, mas do qual sabemos tão pouco. Teoria geral do esquecimento foi uma bela introdução a Agualusa, que encontrarei ao vivo no dia 25 de setembro durante a Pauliceia Literária, numa mesa com Mia Couto. Uma noite de literatura africana na capital paulista, para deleite desta pernambucana.

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