5 livros sobre livros, no dia do livro

Haja livro no título do post. A redundância é proposital e só reforça a paixão dos autores deste blog por esse objeto. E já que hoje, 28 de outubro, é o Dia Livro – data que tem como marco a criação da Biblioteca Nacional,  em 1810 –, o Lombada Quadrada traz dicas de leitura de ficção e ensaios que têm o livro e a escrita como tema central. Esses são apenas cinco exemplos entre muitos textos que têm a literatura e os livros como personagens. Deixe suas dicas e comentários pra gente aumentar a lista.

Vamos aos livros?

Vila-Matas e a obsessão pela escrita breve

A obra do catalão Enrique Vila-Matas é marcada pela presença de personagens que são escritores, muitos deles frustrados. Cada romance do autor traz centenas de referências e citações de romances e ensaios, muitos dos quais pouco conhecidos, o que torna a vida do leitor comprador compulsivo de livros – leiam Renata e Carlos – um inferno. Ao final da leitura, uma visita à livraria e menos reais na conta bancária. Já postamos sobre vários dos romances de Vila-Matas, um dos nossos crushs literários. Separei para esta lista o pequeno e instigante História abrevida da literatura portátil, resenhado aqui. Leia, divirta-se com as piadas literárias do catalão e prepare seu bolso para a vez que passar por uma livraria. A edição brasileira foi da Cosac Naify e pode ser garimpada por bons preços nos melhores sebos.

literatura portátil

 

Ítalo Calvino e o passeio pelos meandros da narrativa

Seis propostas para o próximo milênio é um dos meus livros de cabeceira, favorito para toda a vida. E também é um causador de estragos no orçamento. Nas cinco conferências que Calvino preparou para fazer em Harvard ele descreve as qualidades que fazem um bom romance. Leveza, rapidez, exatidão, visibilidade e multiplicidade são os temas de cada capítulo, recheados de exemplos e trechos de livros. Havia uma sexta reflexão, que seria escrita já na universidade, mas Calvino deixou este mundo antes de embarcar para os EUA e jamais pronunciou as conferências, uma pena. Porém, o material que ele escreveu virou livro, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, e traz citações de centenas de livros, quase todos da tradição europeia e anglo-americana, todos clássicos. É preciso muita força de vontade para não estourar o limite do cartão.

 

Umberto Eco e a bibliofilia

Renata me cobra a leitura de Memória vegetal, do ensaísta, semiólogo e romancista Umberto Eco. Ela leu esses escritos sobre bibliofilia me contando trechos, sorrindo marotamente e, claro, aprofundando a paixão por esse objeto cuja morte já foi declarada muitas vezes e que persiste em povoar as prateleiras das livrarias e as boas bibliotecas. Os ensaios de Umberto Eco fazem um passeio histórico pela construção do desejo pelo livro. E a julgar pelo envolvimento de Renata com as narrativas de Eco, traz curiosidades que todo amante da literatura precisa saber. A edição é recente, da Record e a resenha do Lombada você encontra aqui.

Memoria Vegetal

 

O olhar de Virginia Woolf

Outra crush literária do blog é a britânica Virginia Woolf, com vários livros resenhados aqui, entre os quais destaco a belíssima e importante reflexão sobre o lugar da mulher na literatura, que você pode conferir neste post. Mas a dica de hoje é a pequena e incrível coletânea de ensaios A leitora incomum, que tem uma edição linda da Arte e Letra, de Curitiba. Virginia destila um tanto de veneno, um olhar crítico e também admiração por dezenas de escritores e escritoras. A destacar, o olhar severo e nada condescendente sobre a tradição literária britânica que ela, com sua obra, ajudou a questionar e transformar. Leitura para uma tarde na rede e muitos prazeres literários.

Leitora incomum

 

A procrastinação de Mario Levrero

Romance luminoso é o melhor não-romance que você pode ler. A certa altura, o uruguaio Mario Levrero, no meio de uma pindaíba, conseguiu uma bolsa da Fundação Guggenheim para escrever um livro de ficção. O dinheiro veio em boa hora, mas o tal romance nunca saiu do forno. Em seu lugar, Levrero entregou centenas de páginas de uma espécie de diário pessoal, em que narra suas desventuras amorosas, o dia a dia em um apartamento tomado pela umidade, a dificuldade em manter amizades, os percalços com a burocracia, a falta de dinheiro, já que torrava sem muito critério os recursos da bolsa. E fala de literatura. E de livros, o tempo todo. Conta as dificuldades para levar adiante o projeto do romance e mostra seu lado de editor de novelas policiais baratas, uma das formas que encontra de faturar uns trocados. À primeira vista, parece ser uma obra um tanto entediante. Mas, acreditem, as 645 páginas editadas em português pela Companhia das Letras estão entre as coisas mais impactantes e belas que já li e resenhei aqui.

Romance Luminoso

 

P.S.: a foto que ilustra o post é da Livraria El Ateneo, de Buenos Aires.

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